Pesquisa analisa os riscos ocupacionais dos pescadores e marisqueiras

Foto: Fundação Banco do Brasil (Divulgação)

Pesquisa desenvolvida na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) analisa os riscos ocupacionais dos pescadores e marisqueiras do município de Grossos. O estudo é da graduanda Ana Luíza Fernandes Vieira, do curso de Medicina, orientado pela professora Allyssandra Rodrigues.

O trabalho pioneiro na região, fruto de pesquisa do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC 2015/2016), analisa quais os riscos ocupacionais que os pescadores e marisqueiras estão expostos durante o exercício de suas atividades e como esses riscos poderiam ser evitados.

Ana Luíza Fernandes, pesquisadora. (Foto: Wilson Moreno)

“Todo o trabalho dos pescadores e marisqueiras passa por riscos ocupacionais, desde a Lesão por Esforço Repetitivo (LER) ao risco de câncer de pele, devido à exposição excessiva ao sol”, afirma Ana Luíza Fernandes. Também há risco de problemas oftalmológicos, problemas relativos a questões ergonômicas e corporal por causa do longo tempo dedicado à execução do trabalho.

Conforme levantamento feito pela pesquisa, as marisqueiras passam em média 4h na coleta do marisco e entre 8h a 12h no beneficiamento do produto, que é cozimento, limpeza. “Esta etapa também é um trabalho bastante artesanal, com fogão a lenha, a caldeirão improvisado, e há o risco de cortes e queimaduras”, explica Ana Luíza Fernandes.

Mais de 70% das marisqueiras já sofreram algum agravo, como escorregões, queimaduras, acidentes com animais, material perfuro cortante, segundo aponta o estudo. Além de estarem constantemente expostas a risco ocupacionais. Para se ter uma ideia, cada marisqueira faz dez movimentos para catar um marisco, o que aumenta o risco de Lesão por Esforço Repetitivo (LER).

“A maioria dos trabalhadores não usam nada para se proteger”, declara a pesquisadora. Ele ilustra que grande parte das marisqueiras ficam exposta ao sol por horas sem proteção, carregam os marisco com o braço ou na cabeça, e não usam instrumentos mecânicos para auxiliar no trabalho. “Por instrumentos mecânicos, pode-se entender como um carro de mão, por exemplo”.

Allyssandra Rodrigues, orientadora (Foto: Wilson Moreno)

De acordo com Allyssandra Rodrigues, orientadora da pesquisa, o levantamento sobre os riscos ocupacionais dos pesquisadores e marisqueiras pode servir como base para a adoção de políticas públicas para esta comunidade. “Se sabemos que esta população tem alto risco de câncer de pele, por exemplo, é possível fazer uma campanha de prevenção”, diz.

Allyssandra Rodrigues enfatiza que além do levantamento dos riscos ocupacionais, é possível fazer um elo entre a comunidade de pescadores e a Faculdade de Ciências da Saúde (FACS). Ao detectar o risco ocupacional, pode-se fazer o referenciamento destes pescadores e marisqueiras para o atendimento no ambulatório da FACS.

A proposta, segundo Ana Luíza Fernandes, é que poder utilizar os dados para conseguir melhorias voltadas para este grupo. “Pretendemos com esse diagnóstico, por meio do resultado da pesquisa, a situação dos pescadores e marisqueiras seja conhecida e possam ser tomadas ações preventivas à saúde para essa população”, finaliza.

Levantamento pode traçar um perfil de risco relacionado aos trabalhadores

O resultado do levantamento os riscos ocupacionais dos pescadores e marisqueiras do município de Grossos representa uma mostra da situação vivenciada por trabalhadores desta área em demais regiões. “Na pesquisa, pudemos observados que a maior incidência de doenças ocupacionais registradas em pesquisares na Bahia e em Pernambuco, por exemplo, também se repete aqui”, informa Ana Luíza Fernandes.

Para ela, com os dados é possível fazer um perfil de risco relacionados a estes trabalhadores. “É importante que a população médica tenha conhecimento das doenças que são mais prevalentes naquela região, e ela saiba o que pensar quando estiver diante de um pescador ou marisqueira”, destaca a pesquisadora.

Ana Luíza Fernandes exemplifica que se a comunidade médica sabe que o paciente é um pescador ou marisqueira e tem conhecimento desse levantamento sobre os principais riscos ocupacionais destes trabalhadores, é possível fazer um leque de hipótese de diagnóstico mais preciso para cada caso.

Texto: Adriana Morais
Agecom/UERN